quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pitty aborda diversidade sexual em música nova e diz que Brasil está "atrasado" nessa questão

24/05/2011 14h47 Luciana Rabassallo
Em uma discreta entrada na baixa Rua Augusta, centro de São Paulo, funciona o estúdio de Pitty e também a estilosa residência de seu amigo e baterista, Duda. À meia luz, sentada em uma mesa de madeira e devidamente produzida como se espera de uma estrela do rock, a cantora recebeu o Virgula Música para falar sobre música, claro, mas também sobre os hoje inevitáveis temas da política e do preconceito.

A baiana e sua banda lançam em maio um novo DVD ao vivo, A Trupe Delirante no Circo Voador, gravado em dezembro de 2010. "Queria um nome bem lisérgico, algo que remetesse aos filmes As Sete Faces do Dr. Lao e ao O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus. Juntei com o fato de o show ser no Circo e a catarse que queria causar no público, acho que deu certo".
Com shows confirmados no Rock in Rio 2011 e no festival Summer Stage, em Nova York, além da turnê de divulgação do novo DVD, Pitty ainda encontra tempo para trabalhar em um projeto paralelo, o Agridoce. 
"O Agridoce tem uma pegada melancólica e introspectiva, diferente de tudo que a gente já faz. Botamos uma músicas no MySpace e as pessoas foram gostando. Quero seguir em frente com esse projeto, desde que não choque com a banda principal. Temos um show dia 31/05, no Studio SP, em São Paulo, vamos ver no que vai dar", explica a cantora. 
Em seu segundo registro ao vivo o repertório conta com faixas de Chiaroscuro (2009), seu último álbum de estúdio e também revisita o lado B de Admirável Chip Novo (2003). "Foi natural deixar o Anacrônico (2005) de fora. Montamos uma lista com as músicas para o DVD e no final não tinha nenhuma desse álbum. Como já temos um registro ao vivo dele, ficou mesmo de fora", explica. 
O DVD/CD traz uma versão para Se Você Pensa, de Roberto e Erasmo Carlos. Por que essa música?
Eu adoro essa música, eu gosto muito dessa fase de Roberto e Erasmo, dessa fase que vai de 1965 a 1969, a época que o Tim Maia chegou ali no meio e botou a galera pra tocar um funk. Tínhamos tirado essa música para um outro projeto que acabou não rolando. Fiquei com isso na cabeça e achei essa hora prefeita para gravar”.

Comum de Dois (a única inédita) fala sobre um homem que decide se vestir de mulher. Ela foi inspirada na história do cartunista Laerte, não foi?
A inspiração inicial foi o Laerte, mas a música não é sobre ele. Seria uma grande pretensão tentar definir um ser humano em uma letra de música. Eu criei um personagem que não sabe se é bissexual, homo ou heterossexual. Justamente para poder falar sobre as diversas possibilidades. As pessoas são muito taxativas, não se pode ser nada além do que já está predeterminado. Não é assim, há muitas outras possibilidades que ainda nem se descobriu, nós não temos que fechar os olhos para todas elas, temos que nos permitir viver essas possibilidades.


                                                         


Então você foi favorável a decisão do STF de reconhecer a união estável homoafetiva?
Eu achei incrível! Isso é um passo, é um avanço em um país tão arcaico e atrasado para algumas questões como é o Brasil. Hoje mesmo eu li no jornal que o MEC teve que recolher as cartilhas explicando sobre as diversas orientações sexuais porque a bancada religiosa se opõe. Me sinto no século passado. Política não tem que ter vínculo com religião, somos um país laico, não há o menor sentindo envolver religião em uma discussão como essa.

Política e religião não se misturam de forma alguma?
Para mim não, vivemos em um país laico e não acho certo poder eleger um candidato que representa uma doutrina. Eu sou agnóstica por convicção, todas as vezes que tentei seguir em uma religião me deparei com os dogmas e não consigo seguir em frente. Eu acho que uma coisa que prega o respeito e o amor ao próximo não pode, ao mesmo tempo, pregar o preconceito e o racismo. Por isso religião e política não podem andar lado a lado.

E o que você acha das declarações preconceituosas de figuras públicas como os deputados Jair Bolsonaro e Silas Malafaia? 
Eu acompanhei todo o caso da Preta Gil e acho que não só o racismo, a repressão é uma coisa muito séria. O Bolsonaro representa tudo o que a gente não precisa na vida: repressão, racismo, homofobia, preconceito, machismo, rancor e ódio. Esses caras deveriam ser depostos dos seus cargos e julgados por crimes contra a humanidade. Preconceito é crime! Ainda não criminalizaram a homofobia, mas eu considero um crime. Gostaria mesmo é que essa lei não precisasse existir, queria que as pessoas tomassem consciência por si só. 


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